quarta-feira, 13 de julho de 2011

BIBLIOGRAFIA SOBRE PROSTITUIÇÃO

Essa é uma primeira seleção bibliográfica sobre prostituição.


REFERÊNCIAS
BORTOLANZA, Elaine. As passarelas passeatas da Daspu. Eroticomia [blog], 29/10/2007. Disponível em: http://eroticomia.blogspot.com/2007/10/as-passarelas-passeatas-da-daspu.html. Acesso em: 17/4/2011.

____. Ministério da Saúde. Sumário executivo: I Consulta Nacional sobre DST/Aids, Direitos Humanos e Prostituição. Brasília: Ministério da Saúde, 2008. Disponível em: http://www.unfpa.org.br/Arquivos/consulta_nacional_dst_aids.pdf. Acessos: 27/2/2011 e 19/3/2011.
CASTILHO, Inês. As prostitutas põem a boca no mundo. Mulherio, São Paulo, nov. 1987, p. 6
DAVIDA. Prostitutas cidadãs: o movimento organizado no Brasil e no exterior. Rio, maio 1994.
ENGEL, Magali. Meretrizes e doutores: saber médico e prostituição no Rio de Janeiro (1840-1890). 1.reimpressão. São Paulo: Brasiliense, 2004.
GOFFMAN, Erving. Estigma: notas sobre a manipulação da identidade deteriorada. 4 ed. Rio: Guanabara Koogan, 1988.
LEITE, G. Coluna da Gabi. Beijo da rua, Rio, dez. 1988, p. 2.
____. Caminho aberto para a puta cidadã. Beijo da rua, Rio, nov/dez 2006, p.12. Disponível em: http://www.beijodarua.com.br/materia.asp?edicao=25&coluna=7&num=5. Acesso: 17/4/2011.
______. Filha, mãe, avó e puta: a história de uma mulher que decidiu ser prostituta. Rio: Objetiva, 2009.
LENZ, F. Daspu: a moda sem vergonha. Rio: Aeroplano, 2008. 264 p.
PETERSON, C. Bordéis, gabinetes e serviços de saúde ganham manuais sobre Aids. Beijo da rua, Rio, out/nov. 1989.
RAGO, M. Do cabaré ao lar. Rio: Paz e Terra, 1985.
____. Os prazeres da noite: prostituição e códigos de sexualidade feminina em São Paulo (1890-1930). 2.ed. São Paulo: Paz e Terra, 2008.

SILVEIRA SIMÕES, Soraya. Vila Mimosa Etnografia da cidade cenográfica da prostituição carioca. Rio: Editora da Universidade Federal Fluminense, 2010.

Kushnir, Beatriz. Baile de Máscaras – Mulheres Judias e Prostituição (As polacas e suas associações de ajuda mútua). Rio. Editora Imago, 1996.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Voto em Gabriela Leite, 4301, por questões de linguagem e de desejo

Ontem recebi o texto abaixo de meu quase-filho Rafael Cesar. Filho de Flavio, meu companheiro, Rafael é um grande orgulho em minha vida. Em homenagem a esse menino (quase-mãe é igual a mãe sempre acha que o filho é um menino) inauguro meu blog com suas lindas palavras.


Como não poderia deixar de ser, o trocadilho maior das eleições de 2010 é o de uma prostituta candidata a deputada federal. Gabriela Leite, concorrendo pelo PV com o número 4301, já está aparecendo em jornais e conversas como uma “puta candidata” à câmara. Este trocadilho, que ainda há de inspirar muitos mais (trocadilhos e candidatos), me lembra que o laço que o compromisso que eu já possuía com sua candidatura se fortalece ainda mais com este irreverente aspecto da linguagem.

Ocorre que o termo "puta", como adjetivo usado para enfatizar a qualificação positiva de algo ("uma puta festa", "um puta cara"), diferente da "puta" substantivo ("a puta da esquina"), tem sua etimologia em uma língua africana, provavelmente o quicongo. Neste IDIOMA – não é dialeto, por favor – há o termo "mbuta", usado para se referir a alguém notável, o/a melhor em algo. Está tudo lá, no Novo Dicionário Banto do Brasil, do Nei Lopes.

O estudo das etimologias, entretanto, nem sempre trata de algo exato e comprovável. Por isso tais raízes vocabulares são chamadas de “propostas” etimológicas. Porque, de fato, trata-se de uma sugestão, por assim dizer. Comparam-se palavras, usos; verificam-se transformações mais ou menos recorrentes para se estabelecerem regras na evolução da língua, e assim por diante. Juntando as peças todas à disposição, propõe-se que a etimologia de uma palavra seja de tal língua, ou tal situação. O próprio Nei Lopes desconstruiu muitas propostas etimológicas, feitas à época em que as línguas africanas não tinham qualquer possibilidade de entrada no meio acadêmico.

Gabriela Leite, em sua vasta militância por muitas das causas ligadas à sexualidade (passando pelas questões de gênero, trabalhistas, de saúde etc.) sempre entendeu que a mobilização se veria muito limitada caso não fossem trabalhadas questões da subjetividade. Fã de Felix Guattari e tendo sido profissional das fantasias sexuais, sempre soube que o trabalho em cima dos desejos – com que lidava em seu dia-a-dia – era algo fundamental. Sempre soube que, se não fizesse espalhar o desejo por algo a ser conquistado, por mais que se conquistasse, não haveria como manter esse algo conquistado seguro.

Foi assim que, em meio às conquistas mais “formais” de que participou, como protagonista ou coadjuvante (quebra de patentes dos remédios da Aids; formulação de políticas para tratamento de portadores do vírus HIV e de outras DSTs; distribuição de preservativos e manuais educativos para profissionais e amadores, dentre outras coisas), Gabriela veio batendo na tecla de que uma mudança de valores era a política mais importante a ser feita. E, de algum tempo para cá, começou a dizer que não gostava de ser chamada de profissional do sexo – e, sim, de puta.

“Enquanto não deixarmos de lado a hipocrisia e não assumirmos o nome de nossa profissão como uma coisa positiva, algo de que gostamos e de que muitos gostam, continuaremos sendo o maior insulto da língua portuguesa, e nossa situação não vai mudar”, disse a líder em recente diálogo.

Faço um paralelo, por exemplo, com a questão racial. Até algumas décadas atrás, a palavra “negro/a” era usada como xingamento: “seu negro”, “negra safada”, coisas do tipo. Com a assunção desta palavra com orgulho por parte da população e da militância negras, o termo pulou para o extremo oposto. Dona Ivone Lara pôde, feliz, cantar sobre o sorriso negro. Hoje, não há qualquer pejoratividade em chamar alguém de negro. Mudou-se o valor, mudou-se um pouco da percepção sobre o campo semântico da negritude. O racismo ainda existe, é fortíssimo, mas perdeu uma perna.

Volto às etimologias, para encerrar. Nei Lopes fez uma das mais importantes contribuições ao país com sua pesquisa sobre etimologias de origem africana. Mas tenho apostado por aí que, um dia, a contribuição dele vá se esbarrar com a de Gabriela. Um pouco pra frente, acho que daremos muito valor às origens africanas presentes em nossa língua, todo mundo vai poder aprender isso na escola, e acho também que as putas serão respeitadas como profissionais dignas. Quando, nesse dia, a “puta” substantivo se tornar um termo positivo, ele será facilmente confundido com o “puta” adjetivo, que já tem o valor positivo. Tendo o mesmo valor, essas etimologias vão se embolar. De onde terá vindo o termo puta? Do quicongo “mbuta”, usado para enfatizar a qualidade positiva de algo? Ou de “puta”, mesmo, que começou a ser usado como elogio há anos atrás por uma prostituta que chegou à câmara de deputados?

Não sei quando isso vai acontecer. Mas, no dia em que o uso de “puta” como elogio for difundido e irrestrito, e então pudermos confundir as duas etimologias por terem valor semelhante, certamente estaremos vivendo em um lugar melhor para as putas, para as mulheres em geral, para a população negra, e muito mais gente que, animada, vai embarcar nesse gozo e passar a gostar mais de si.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Oi todo mundo

Por muitos anos escrevo uma coluna no Beijo da Rua. A partir de hoje escrevo também aqui. Opiniões, gostos, visão política, sexualidade e, claro, prostituição. Aviso de antemão que não sou fã do pensamento politicamente correto!